Aprendi a fazer
da sua ausência
minha companhia,
do seu silêncio
minha verdade,
da distância
entre nós
caminhos
de aprendizagem,
da sua falta
fiz meu complemento,
da saudade
fiz lembrança,
fiz da dor
um sentimento,
e hoje sou
mais completo,
aprendi a fazer
o melhor de mim
com o pior de você...
sua ausência !
Sua ausência... escrito em segunda 16 agosto 2010 08:22
Não sei sofrer... escrito em domingo 15 agosto 2010 16:15
Seria mais facil
se eu causasse pena,
se eu fizesse cena,
quisesse morrer,
seria mais obvio
me encontrar perdido
me encontrar caido
de tanto beber...
Seria poético
estar cantando Blues
estar bebendo Jack
estar vestindo black
sofrendo em inglês...
perdão se te deixo
um pouco perdida
esperava um filme
meio diferente ,
algo assim noir,
um filme francês...
Desculpa por isso,
se te desaponto ,
decidamente eu
não sei sofrer ,
agora relaxa
senta aqui comigo,
apesar de tudo
eu sou seu amigo,
se não demos certo
não morro por isso,
estou triste, é fato ...
mas não vou morrer !
Banalidades da morte !! escrito em domingo 15 agosto 2010 07:16
Domingo bem cedo o telefone toca, campanhia estridente, com o som de apressada. Corro atender , era o Juca , passando agenda do dia :
- Hoje tem velório e enterro !!
Disse ele num tom sério, mas de quase satisfação.
Juca era uma espécie de "promoter" entre os idosos da cidade. Sabia de todos os eventos sociais que normalmente ocupam nosso tempo : Vélorios, enterros, doenças, horários de visita em hopsitais da região, romarias, missas, campeonatos de dama ou truco, comicios , etc.
A pedida de hoje era um velório. Vesti meu terno preto, meu ról de frases de efeito, meu olhar de consternado e fui despachar o coitado. Não sabia bem quem era o falecido, não era gente importante, nem nome tão conhecido, só mais um pobre coitado pelo mundo esquecido.
Chegando lá , o de sempre, a turma do palitinho já estava na porta, se desse fariam um campeonato ali mesmo, as carpideiras todas impecáveis, choravam copiosamente, estoque de lágrimas completo, à quase três meses não morria ninguém. Os bebados da cidade já comentavam a quantidade de cachaça. Parece que era pouca. O padre, o padeiro, Dona Lourdes, a louca, o pastor o carteiro, casa cheia.
Juca , excitado como sempre, me recebe a porta , me saúda eufórico, e diz em tom grave e solene. Chegou o poeta minha gente, para dizer sua bela homenagem ao nosso inesquecível amigo.
E lá fui eu , nada de especial ,dezessete frases prontas contadas a dedo, nada de pessoal a dizer , assim me despedi de alguém cujo rosto era familiar , mas confesso... não me lembrava quem era.
Palmas , choro e abraços. Talvez a viuva tenha se demorado um tantinho a mais ao me abraçar, e também apertado um tantinho a mais. O povo viu, o povo sempre vê tudo ! Deixei por conta do momento de tristeza.
- Tem café e bolinho ali atrás na cozinha ! disse a viuva .
O povo imediatamente se debandou. O morto como sempre ficou ali no canto, segundo plano, como deve ter sido sua vida inteira.
Juca me olhou , feliz com os bolinhos, com o café, com a cachaça que era da boa, com o sucesso do evento. Se sentindo um pouco responsável pela organização de tudo.
Fui embora, cuidar das coisas, cuidar das plantas , do meu cachorro, do periquito.
Mundo esquisito...
Sonho de amor ! escrito em sábado 14 agosto 2010 15:20
Sonho de amor
a ser contado,
a ser cantado,
em varias línguas
em todos os idiomas,
pelos quatro cantos
do nosso e de
outros mundos,
outras realidades ,
outras dimensões ,
sonho de amor
a encantar
os corações
por gerações ,
incentivar paixões,
erguer as flores
baixar espadas
inspiração
de todos os
contos de fadas,
fazer chorar
os insensíveis
os sem amor,
os inflexíveis,
sonho de amor
a ser semente
a germinar nessa
gente meu louco
sonho de amor...
Sonho de amor
que transforma
sonho de amor
que nos torna
partes do sonho
de amor !
Folhas ao vento !! escrito em sábado 14 agosto 2010 05:54
Soprou o vento,
balançando
nossa arvore,
de nossos galhos
tivemos que
nos soltar,
duas folhas
mergulhando
ao mesmo tempo
dando as mãos
ao se encontrarem
pelo ar...
Dando as mãos
pra mergulharem
de mãos dadas,
e deixar que o rio
lhes faça passageiras ,
e seguir pela
corrente que é estrada
de mãos dadas
a mercê,
pra vida inteira,
Hora em margens
contemplando
as paisagens ,
que o rio
pôs no roteiro
pra mostrar ,
horas duras
enfrentando
tempestades ,
que nem mesmo
o grande rio
pode evitar...
E assim seguimos
folhas a deriva
que sozinhas
não chegariam ao mar,
dei-te a mão
quando deixamos
nossa arvore ,
sem saber
que essa
era a chave
para amar...
















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